
A freguesia de Candedo, localiza-se nas proximidades do rio rabaçal, com uma área de 2223 hectares, composta por três povoações, Aboá, Candedo e Espinhoso.
Segundo a história, em 1225, Espinhoso era uma freguesia independente, na altura tinha oito a dez fogos , cada habitação com cerca de seis pessoas , Candedo e Aboá tinham um menor numero de pessoas .
Entre 1581 e 1640, quem administrou o território português foi Filipe III de Espanha, enviando novos abades e padres espanhóis para várias paróquias e freguesias. Os impostos aumentaram muito, as pessoas protestaram e recusaram-se a pagar, consta-se que como sanção Espinhoso perdeu a sua autonomia.
(Texto fornecido pela junta de freguesia de Candedo)
ACTIVIDADE ECONOMICA
A freguesia de Candedo possui um bom solo fértil, aproveitado para a principal atividade, a agricultura. Produzem-se cereais, legumes, frutos, azeite, vinho, mel, castanhas, bem como, a produção de animais bovinos, caprinos e suínos.
GASTRONOMIA
De Novembro até aos meados de Janeiro é altura de matanças. As pessoas desta freguesia preservam a tradição, designando a gastronomia local.
RECEITA TRADICIONAL DO ALMOÇO DA MATANÇA DO PORCO
Ingredientes:
Couve de penca
Presunto
Cebola
Azeite
Pão
Fígado de porco
Folha de loureiro
Cozem-se as couves de penca no pote, com água, sal e um pedaço de presunto gordo. Depois das couves cozidas, tira-se a água, misturam-se as sopas de pão e abafam-se para que fiquem amolecidas. Posteriormente refoga-se o azeite com a cebola e mistura-se nas couves, mexem-se com cuidado para não as desfazer e poem-se um pouco de farinha de trigo, para não tomarem água. Para acompanhar as couves, coloca-se noutro pote, cebola picada, azeite, alho, louro, sal e o fígado cortado. Quando estiver tenro adiciona-se um pouco de colorau desfeito em vinho tinto. Deixa-se levantar fervura e está pronto.
(Srª Cremilde Espinhoso)
Receita tradicional da ceia da função
Partir os ossos molarinhos do porco.
Desfazer a mioleira com vinho.
Num pote com água a ferver, deitar a carne, uma cebola picada, alho, louro e sal. Deixar cozer bem. Depois de cozido retirar a folha de louro e alguma água, misturar os miolos com o vinho e deixar levantar fervura, posteriormente adicionar um pouco de azeite. Partir o pão em pequenos pedaços e misturar sem desfazer. Deixar amolecer e servir bem quente.
(Sr.ª Cremilde Espinhoso)
RECEITA TRADICIONAL DA CEGADA
SOPAS DE CAVALO CANSADO
Ingredientes:
Vinho, mel e pão centeio ou caseiro
Confeção:
Deitar o vinho numa caçarola e adoçar com mel. Cortar o pão em pedaços pequenos e misturar. Deixar amolecer um pouco. Está pronto a comer.
(Sr.ª Cremilde Espinhoso)
Bifes de Presunto
Ingredientes:
Presunto curado
Vinho
Pão centeio
Confeção:
Corta-se o presunto curado em bifes e poem-se de molho um pouco. Deite água numa frigideira e leve ao lume, mergulhe o presunto e deixe ferver. Retirar a água e deite vinho tinto, deixe levantar fervura e misturar o pão cortado em pequenas fatias finas, deixar amolecer um pouco e servir.
(Sr. ª Cremilde de Espinhoso)
ECONOMICOS
INGREDIENTES:
7ovos
600g de açúcar
Uma chávena de chá de azeite
150g de manteiga
1 Cálice de aguardente
2 Colheres de bicarbonato
Uma chávena de leite
Farinha a que levar na média 2 kg
Uma casca de laranja
Confeção:
Frita-se a casca de laranja no azeite até ficar castanha, retira-se e deixa-se arrefecer um pouco o azeite e junta-se a manteiga. Batem-se os ovos com o açúcar, adiciona-se o leite, o azeite com a manteiga, a aguardente, o bicarbonato e a farinha, batendo sempre até ficar uma massa consistente. Com uma colher e com o auxílio do dedo indicador, deita-se num tabuleiro, polvilhado de farinha pequenos montinhos de massa polvilhados com açúcar e canela.
Vão ao forno esperto e cozem rápido.
FOLAR
Na semana que antecede o domingo de pascoa permanece a tradição da confeção do folar.
INGREDIENTES:
Farinha
Ovos caseiros
Azeite
Banha de porco
Fermento
Presunto
Salpicão
Chouriça de carne
PATRIMÓNIO ARQUITECTÓNICO
A freguesia de Candedo possui um elevado património arquitetónico, entre o qual a igreja paroquial de Candedo, com características do estilo manuelino, a igreja paroquial de Espinhoso, dedicada ao Santo Estevão, a Capela de São Martinho localizada na Aboá, a Capelinha do Menino Jesus e do Senhor dos Aflitos em Espinhoso e a Capelinha da Senhora das Dores em Candedo.
Existem também moinhos de água e pombais.
TRADIÇÕES
Nos dias 24 de Junho e 29 de Junho, ou seja dia de São Pedro e São João é costume a recolha de ervas medicinais, POR EXEMPLO:
O Pelicão é bom para a dor de estomago;
A cidreira é boa para dor de cabeça;
A “malvela” é boa para a dor de barriga;
Orégãos são bons para a constipação;
O Limonete é bom para o estomago
A Flor de carqueja é boa para o colesterol
A erva de São Roberto é boa para a dor de estomago;
A flor de esteva com as cinco chagas é boa para a dor de dentes;
A folha de Eucalipto é boa para a febre;
A flor do sabugueiro é boa para curar as pneumonias;
No entanto, as ervas medicinais, exigem uma técnica especial de secagem, , têm que ser sempre á sombra e num local seco, posteriormente guarda-se em frasquinhos num local escuro.
(Informação cedida pela Sr.ª Francisca Rosa Rodrigues de 75 anos)
JOGO DA PALMA
“Sentam-se todas as crianças, tapando uma os olhos. Outra, qualquer dá-lhe uma pancadinha. Abre os olhos e se descobrir quem lhe tocou vai ela substitui-la. É assim conforme vão adivinhando quem lhes tocou, vão-se substituindo umas às outras até se cansarem”.
(Informação cedida pela Sr.ª Emília Diegues de Espinhoso)
JOGO DA POMBA
Colocam-se as crianças num canto qualquer, que representa um pombal e as pombas.
Uma está de fora a representar o corvo. Quando as pombas saem do pombal, o corvo vai atrás delas, a primeira que agarrar dá-lhe três pancadas, ficando corvo também. Posteriormente as pombas recorrem de novo ao pombal. Assim que saírem, vão os dois corvos atrás delas até agarrarem outra. Logo que agarrem dou-lhe três pancadas, e assim sucessivamente até que ficam as pombas todas convertidas em corvo.
(Informação cedida pela Sr.ª Emília Diegues de Espinhoso)
ETNOGRAFIA
Lenda da fraga do “cagalhão”
Uma pastora andava com as cabras perto da fraga do “cagalhão”, encontrou um fio de ouro a sair da fraga. Pegou no fio e começou a doba-lo, já tinha um novelo grande quando reparou que as cabras andavam a fazer mal, nas vinhas. A pastora largou o novelo e foi virar as cabras. Quando regressou á fraga não encontrou o novelo, mas ouviu uma voz de dentro da fraga que lhe disse:
Novelarás, pastorinha novelarás que para o prejuízo tu ganharás.
Reza a lenda, que na fraga se podem encontrar duas arcas, uma com ouro, outra com “merda”. Se abrir a do ouro enriquece meio mundo, mas se abrir a que contém “merda” morre meio mundo com a peste.
Informação cedida pela Sr.ª Lúcia Augusta Rodrigues, Sr.ª Amália Canado Silva e pelo Sr.º Agripino Silva de Candedo.
Sexta-feira SANTA
Senhor Deus: Misericórdia!
Perdão oh meu Deus!
Perdão e Clemencia!
Perdão Indolência!
Perdão a dar-lhe perdão!
Senhora das Dores
Abençoada és!
Tens o teu Amado filho
Deitadinho a teus pés!
Senhor Deus, por vossa Mãe Maria!
Santíssima Misericórdia!
(Informação cedida pela Sr.ª Lúcia Augusta Rodrigues de Candedo)
Lendas de Frei Agostinho
1º Lenda
Encontrava-se nesta localidade Frei Agostinho quando foi construído um moinho no lugar de Olgas no rio Rabaçal. No Inverno este rio é muito caudaloso, o povo receava que as águas o levassem, pois a construção era bastante frágil.
Porém Frei Agostinho disse que não tivessem receio que as águas nunca conseguiriam arrastar consigo o moinho, mesmo quando nos invernos mais chuvosos, coberto pelas águas do rio rabaçal. Assim aconteceu, já lá vão centenas de anos após a sua construção e ele ainda continua em pé. (Informação cedida pela Sr.ª Emília Diegues de Espinhoso)
2ª Lenda
Um dia andava uma pastora no lugar do “Vilar” apascentando o rebanho. Estava com uma terrível dor de dentes que quase era impossível “aquedar” o gado. Passou Frei Agostinho e viu-a naquele desespero e disse-lhe:
_ Não chores mais, pastorinha! Eu vou ver se te alivio. Pôs-lhe a capa dele sobre os ombros e a pastora de repente adormece e dorme sossegadamente durante horas. O rebanho não se mudou do lugar, nem foi a fazer mal. Á noitinha a pastora acorda bem disposta e sem dores, ficou alegre por ver as suas ovelhinhas junto dela, sem terem perigo e sem terem ido fazer mal ás searas verdinhas que havia mesmo ao lado.
(Informação cedida pela Sr.ª Emília Diegues de Espinhoso)
3º Lenda
Outrora os Vinhedos de Espinhoso, situavam-se nas margens do rio Rabaçal, naquelas encostas. Era difícil tirar as uvas de lá. Um dia uma família fez a vindima e carregou o carro de bois de uvas. Ao dar uma curva no caminho o carro resvalou e saiu do caminho. O lavrador pôs mais uma junta de bois ao carro, mas tudo em vão… O carro cada vez resvalava mais, sujeito a ir ter às águas do rabaçal, com as duas juntas de bois. Frei Agostinho apareceu, encostou o ombro ao carro e de repente o carro voltou imediatamente ao caminho.
(Informação cedida pela Sr.ª Emília Diegues de Espinhoso)
Lenda da Fraga da Torre
Reza a lenda que na fraga da torre viveram lá os mouros e todas as manhãs as pessoas da aldeia viam as roupas estendidas brilhantes como oiro. Consta-se ainda que quando os pastores pastoreavam os seus rebanhso, junto da fraga viam as mouras a pentear os cabelos de oiro e outras a fiar com fios, rocas e fusos de oiro. Os pastores nunca conseguiram falar-lhe pois logo que se aproximavam elas escondiam-se.
Um dia um pastor mais teimoso, ficou mais tempo até anoitecer, muito silencioso, esperou até que uma linda mourinha saísse, esta sem dar conta da aproximação do pastor, sentou-se a olhar as estrelas. O pastor foi calmamente até junto dela, quando o viu não fugiu e começaram a conversar. O pastor todas as noites ia á fraga visitar a sua amiga até que um dia se apaixonaram, casaram e viveram felizes para sempre.
(Informação cedida pela Sr.ª Emília Diegues de Espinhoso)
Fraga dos mouros
Na aldeia de Candedo, consta-se que na fraga dos “mouros”, outrora apareceu uma donzela muito bonita a pentear-se com um pente de ouro. Passou um pastor e pediu-lhe um beijo, ela disse-lhe que sim, mas na figura que ela aparecesse, porém ela apareceu na figura de uma cobra, ele assustou-se, não lhe deu o beijo e ela disse-lhe:
- Se não me tivesses medo desencantavas-me e seriamos felizes toda a vida assim rastejarei toda a vida.
(Informação cedida pelo Sr.º Agripino Silva -85 anos)
ADIVINHAS
No campo me criei
Criada em verdes laços,
Quem mais chora por mim,
É quem me faz em pedaços
(Cebola)
(Sr.ª Emília, Candedo)
Verde foi o meu nascimento
De luto me vesti
Para dar á luz ao mundo
Mil tormentos padeceram
(Azeitona)
(Sr.º Francisco, Candedo)
Debaixo do pingo pingão
Andava o choringa choringa,
Veio o rapa rapão
Comeu o choringa choringa
(Castanheiro, porco e o lobo)
(Sr.º Eurico Canado)
Alto como o sino
Verdega como o linho
Doce como o mel
Amarga como o fel
(Nogueira)
(Sr. Francisco Canado)
O que é a coisa que anda de buraco
Com as tripas de arrasto
(Agulha e a linha)
(Sr.ª Francisca)
Tem boca e não come
Tem asas e não voa
Tem pernas e não anda
(R. Pote)
(Sr.º Eurico Canado)
Dá horas e não é relógio
Tem pico e não pedreiro
Tem serra e não é carpinteiro
Tem espora e não é cavaleiro
Raspa no chão e não acha dinheiro
(R. Galo)
(Sr.º Eurico Canado)
Do tamanho de uma pulga
Deita orelhas como uma pulga
(Semente de couve)
HINO DE ESPINHOSO
Espinhoso ó terra linda
Como é nobre o teu brasão
Sempre que alguém te visita
Preso cá fica seu coração. (Refrão)
Bairro alto da Escagalha
Cheio de vida, cheio de sol
Escolheu-te a mocidade
Para seu campo de futebol.
Seguindo a rua principal
Até chegar á capela
Está o menino jesus
Pedindo e olhando pela nossa terra.
Espinhoso ó terra linda
Com o seu largo de encantar
E o Sr. º dos Aflitos
É ele quem nos vai salvar.
Viva Espinhoso tão lindo
Com o seu povo hospitaleiro
Viva também Santo Estevão
Que é o nosso Padroeiro.
Continuando pela aldeia
Até chegar ao carril
Temos o centro cultural
Onde todos se vão divertir.